terça-feira, 12 de maio de 2009

S. Pedro de Merelim -Braga

Text S.PEDRO MERELIM OFICIOS primum

A freguesia de S. Pedro de Merelim, em Braga, já ganhou a vida a fazer taxas e a fabricar telhas à mão. As taxas davam – lhe para a “sopa” e as telhas… “bom poder de compra”. Mais tarde, entrou no negócio das feiras e fez algumas fortunas. Os seus feirantes endinheirados deram – lhe fama e prestígio e desenvolveram – na com modernas moradias e novas zonas residenciais, além de terem dado um grande impulso à vida cívica local. Mudaram – se os tempos, mas ficou, ainda assim, a memória desses antigos ofícios, que projectaram a freguesia, e até dos momentos áureos dos seus feirantes: o que resta dela será evocada pela Junta de S. Pedro de Merelim na exposição que preparou para a Feira das Freguesias de Braga, que decorrerá de 30 de Abril a 3 de Maio. Entre outro material alusivo à temática, estarão à vista antigos instrumentos dos ferreiros – taxinhas de S. Pedro de Merelim. Algum desse espólio permaneceu em casas particulares, que, curiosamente, não são habitadas por descendentes de antigos fabricantes de taxas, adianta o presidente da Junta, Nuno Ribeiro.
Há mais de meio século, a actividade do ferreiro – taxinha ocupava 60 por cento da população local. Ainda assim, o ferreiro – taxinha metia – se também a fazer telhas à mão, quando não tinha trabalho, para equilibrar assim os rendimentos: o fabrico de taxistas para tamancos ou de taxas para carros de bois nem sempre chegava para o sustento da família.
Seja como for, havia poucas famílias em S. Pedro de Merelim a dedicarem - se em exclusivo ao fabrico manual de telhas: entre as mais conhecidas estavam as dos “Salgueirinhos”, dos “Loureiros” e do António da Rocha. O negócio manteve – se nas mesmas famílias, durante gerações a fio, até ter desaparecido há cerca meio século. A automatização do fabrico contribuiu para a extinção da actividade em S, Pedro de Merelim, mas a idade avançada dos últimos fabricantes manuais e até a falta de continuadores entre os descendentes apressou - lhes o fim do negócio, que passou a exigir a modernização de meios para ser rentável: a introdução da telha francesa com desenho especial também os afastou do mercado. Enquanto durou, o fabrico manual de telhas deu - lhes dinheiro “e bom dinheiro”, pois “tinham bom poder de compra”,segundo recorda o presidente da Junta de Freguesia.